Sábado, 20 de Março de 2010

no caderno rosa andavam perdidas estas palavras.

Lembraste? É óbvio que não. Afinal como te poderias lembrar de algo que nunca te contei? Mas é que vives tão dentro de mim que, por vezes penso que já sabes tudo o que aconteceu antes de nós. Eram sábados de sol, de brisa, de mãe a estender a roupa. Eram sábados quentes e reconfortantes. Eram sábados em que nada havia, apenas o calor que entrava por mim adentro. Nesses sábados em que eu sentia mais paz do que agora, eu costumava sentar-me no chão da sala, desligar a televisão e pura e simplesmente sentar-me no chão vazio e quente. Pegava na caixa de fósforos e, lá de dentro tirava as duas joaninhas que tinha apanhado na escola. Metia-as nas minhas mãos e brincava com elas até o almoço estar na mesa. Brincava com elas e sonhava que um dia eu ía puder voar como elas. Joaninha voa, voa que o teu pai foi para lisboa. Falava com elas e escutava-as no meu coração. E o sol entrava pelas janelas e fazia os meus olhos brilharem. Desses sábados posso ainda sentir toda a calma, harmonia, equíbrio e pureza de que eles eram feitos. E posso viver, até porque, afinal de contas, recordar é viver.

 

e não é que passados dois dias de eu escrever isto, uma joaninha foi parar-me para cima do teste de espanhol, vinda assim do nada?

publicado por anna. às 16:52
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3 comentários:
De Mudei-me. Tchauzinho. a 20 de Março de 2010 às 18:13
Gostei do Texto. Coincidência realmente querida. :)
De Mafas a 21 de Março de 2010 às 22:25
Coincidencias da vida...
De Anónimo a 6 de Abril de 2010 às 17:34

Quem é na foto? Gostei!

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