Domingo, 18 de Abril de 2010

pôr-do-sol

não, eu não preciso de ti. agora, eu apenas preciso do teu sorriso. (repara amor, eu disse agora, porque daqui a bocado será diferente e talvez já precise dos teus olhos e das tuas palavras, mas isso já será outra história). e precisar do teu sorriso, não é igual a precisar de ti. e tu também sabes bem que não. o teu sorriso sempre me falou mais ao coração do que tu. o teu sorriso sempre me alimentou mais calor do que os teus abraços. o teu sorriso é o teu sorriso. para mim ele nunca fez bem parte de ti; é uma éspecie de acessório que tu usas quando me vês. foi assim que me conquistaste. foi assim que fizeste com que eu me fosse sentar contigo no banco azul do jardim, debaixo daquele sol. foi o teu sorriso que me disse olá; e me chamou para ao pé de ti. eu até te podia dizer que o teu sorriso fala sozinho, e nem estaria a mentir. mas nem sempre assim o é. por vezes o teu sorriso para falar mais alto e brilhar mais que todas as estrelas precisa dos teus olhos cor de areia, e das palavras que tu pronuncias com tanta doçura. com essa doçura tão leve e poderosa. a primeira vez que te ouvi falar fiquei sem palavras, os meus olhos olhavam bem para a tua boca, que articulava o mais melodioso «olá, princesa» que eu alguma vez ouvira. e depois os meus olhos subiram e encontram os teus. encontram os teus olhos e perderam-se lá. e tantas vezes que isto aconteceu, amor. olhava para os teus olhos de areia, para a tua t-shirt azul que teimavas em trazer sempre que vinhas ter comigo, e eu perdia-me em ti. (não, não me perdia em ti.) só me perdia nos teus olhos, no teu sorriso e nas cores tão belas com que os meus olhos te pintavam. eras a tela mais bonita que eu já tinha visto. só que eu ainda não tinha decidido se te queria ou não na mobília do meu coração. por enquanto gostava de ti, mas só assim - naquela tela bonita. sempre fui uma «princesa» (como tu me chamavas) de bastantes palavras, mas quando me apercebi de que realmente começava a precisar de ti a todas as horas, de que precisava de te ver e de te tocar a cada segundo, as palavras esconderam-se de mim. e então as nossas tardes de sábado passaram a ser calmas como a brisa, eu não conseguia dizer nada e tu não tiravas os teus olhos cor de areia dos meus. perdemo-nos mil vezes um no outro a cada minuto que passava. o teu sorriso aparecia sempre e falava-me ao coração. eu percebia e respondia-te com um aperto bem grande na mão. ainda te lembras ? passámos horas assim, naquele banco azul do jardim - tu e eu de mãos dadas, o teu sorriso a falar-me ao coração, os teus olhos a  perderem-se em mim. eu lembro-me de cada gesto teu, de cada palavra sussurrada para não assutar os passarinhos que poisavam em torno de nós, de cada movimento dos teus olhos. até que te aproximaste mais de mim, me abraçaste e quando me largaste, olhaste-me muito dos olhos e aproximaste os teus lábios dos meus. beijaste-me. mas caramba, eu não queria isso. não queria ! eu ainda não tinha sequer pensado nessa probabilidade. estávamos tão bem assim, sossegadinhos, sentados, calados, a falar muito e sobre tudo. tu beijaste-me, eu fui obrigada a pensar muito rápido. não disse nada, virei-me para o lado e assim continuámos a observar o pôr-do-sol. e apartir desse dia, sempre que o sol se punha nos nossos encontros tu beijavas-me. eu dependia cada vez mais de ti. até que houve uma vez em que fui eu quem te beijou. começámos a falar do futuro, dos beijos e de cada toque. mas depois houve uma tarde em que não apareceste. e eu sabia que não estavas doente, e que não era nenhum imprevisto. eu sabia que não iria aparecerias mais. deixei-me estar no jardim, no nosso banco azul até ser o pôr do sol, e depois fui embora. não senti dor, não derramei nenhuma lágrima. a minha vida continua, é certo. mas lá por eu não ter chorado, não quer dizer que não sinta a tua falta. sinto, e tanto ! principalmente desse teu sorriso. nunca mais te voltei a ver. e agora não tenho ninguém que me fale ao coração, ninguém que me faça perder, ninguém que se encontre todos os sábados à tarde num banco azul comigo, ninguém que me beije ao pôr-do-sol. tu foste embora, e eu não tenho esperança que voltes. não, não tenho nenhuma. nós sabiamos que não ía durar para sempre. que iriam aparecer sábados em que teriamos mais que fazer, que iriam aparecer dias em que não nos iriamos ouvir. e nesses dias era tudo tão mau, tudo dóia tanto. nós sabiamos que não podiamos continuar assim. que era demasiado amor, que não era possível de acontecer e durar até o mundo acabar. nós sabiamos tudo. tu tiveste foi a coragem  de dar o último passo, e nesse sábado em que não apereceste, eu já sabia que não irias aparecer. fui para casa com um sorriso nos lábios, com um sorriso muito parecido ao teu. porque apesar de tudo, apesar de nunca mais te ir ver, eu sabia que aquilo que tinha acontecido entre nós foi muito verdadeiro e forte. e isso basta-me. apesar de agora, eu precisar do teu sorriso. mas eu sei que depois de amanhã é segunda, e a vida continuará. no final de contas, o único tempo em que eu penso em ti é sempre que o sol se põe em cada fim-de-semana. porque eu sei que também foi esse o tempo que escolheste para ir à janela e pensar em mim. eu continuo a conhecer-te amor, melhor que ninguém.

 

publicado por anna. às 17:32
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41 comentários:
De fii a 18 de Abril de 2010 às 17:43
lindo ! :o
De jujuu ♥ a 18 de Abril de 2010 às 18:01
já te disse que escreves, assim, muitoooo bem ? :$

 
De Madalena a 18 de Abril de 2010 às 18:21

Que lindo, anna *-*
Adorei, querida. Mesmo (:
Beijinhos
De Pedro a 18 de Abril de 2010 às 19:19
está muito bonito, amor.
De Margarida a 18 de Abril de 2010 às 19:25

Fantástico texto ! Aliás , como todos os outros :)

beijinho
De kelly a 18 de Abril de 2010 às 19:31
lindo e lindo, anna. (: escreves de uma forma, meu deus.
beijinho.
De anna,s. a 18 de Abril de 2010 às 20:34

Oh anna, escreves tão bem *.*
De jujuu ♥ a 18 de Abril de 2010 às 21:35
Porque é a verdade meu amor.
estes teus textos :$
qualquer dia, passo todos para o word, imprimo e faço um mini-livro *-*
De jujuu ♥ a 18 de Abril de 2010 às 22:23
não sou não amor x.x
De jujuu ♥ a 18 de Abril de 2010 às 22:25
amor eu vou-te deixar aqui o meu numero, porque tenho a sensação que tens o numero errado. 910882638
não adiciones o comentário @

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