Quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

As quintas são da margarida (V)

  Gosto.

 

Gosto do teu ar, do teu olhar, da tua forma de andar, das tuas mãos guardadas nas minhas, gosto de te cheirar, de te sentir, de me calar para te ouvir, de me deitar a teu lado para dormir e depois acordar, depois espreguiçar-me e levantar, e rir e dançar e cantar e cada dia outra vez começar um novo dia a sonhar.
Gosto da tua boca certa e do teu cabelo farto, da tua voz cantada e aconchegante, dos teus beijos longos, dos teus abraços infinitos, das tuas piadas e risadas, dos teus braços à volta dos meus, duas cabeças encostadas, os ombros em paralelo, as pernas dobradas e os pés juntos, gosto do teu hálito fresco e do teu sorriso aberto, da tua cabeça arejada e do teu olhar mais secreto, gosto de te ver junto ao meu peito a contar as batidas do meu coração, de sentir que estás sempre perto e sempre estarás, que vives cá dentro e mesmo na ausência, quando só te vejo com os olhos fechados e as mãos juntas em concha, sei que és perfeito, sei que voltarás, sei que estás quase a chegar, que cada minuto que passa é só mais uma etapa na minha espera, por isso espero calada e feliz, e nas letras que transformo em palavras imagino a cor e o sabor deste amor, deixo-me levar, crescem-me asas e de repente desato a voar, a voar…
E então já não sou eu, olho-me no céu e vejo um balão cheio de mel, tu puxas o fio como uma criança que guia na praia o seu papagaio num dia de sol e ventania, agora mais para cima, até às nuvens, agora em frente, a sobrevoar o mar, depois em cima das dunas, cá em cima o mundo é todo liso, só a tua silhueta se desenha, se destaca e se revela no horizonte imenso e infinito e então tu puxas o fio, eu desço devagar, cada momento que te vejo mais próximo é eterno e irrepetível, cada momento é nosso e só nosso quando me apertas outra vez nos braços e me dizes baixinho quero-te, quero-te, quero-te só me apetece rir e chorar, só quero ter outra vez cinco anos, fazer corridas de bicicleta e esfolar os joelhos, lamber os gelados até ficar com bigodes brancos, apanhar laranjas das árvores e sorvê-las com as mãos a escorrer, rebolar-me num campo de campainhas amarelas, apanhar margaridas e pô-las nos cabelo, subir a uma árvore e construir uma cabana e depois esconder-me lá dentro, tu e eu debaixo do mesmo tecto, debaixo do mesmo segredo, do mesmo sonho, do mesmo projecto.
Gosto de te ver a rir e a brincar, gosto do teu cheiro e do teu olhar, gosto de te ver sempre perto e de sentir que tudo está certo, de saber que afinal vale a pena acreditar que um dia a paz acaba sempre por chegar, que não há esperas vãs nem dias perdidos, que todas as noites são de lua cheia e todas as manhãs estão cheias de ti, meu amor, quero-te, quero-te, quero-te.
Por isso abre as mãos e o peito, deixa-me ficar para sempre lá dentro, guarda-me em tu e espera sem esperar a cada dia que passar, que este amor imenso, doce e intemporal resista ao tempo, resista ao medo, resista ao mundo, resista a tudo e não precise de mais nada a não ser de TI, tu que és o principio do fim, que estás no meio de tudo, que atravessas a vida de mão dada comigo, tu de quem eu gosto, gosto, gosto.
Margarida Rebelo Pinto.
publicado por anna. às 10:20
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1 comentário:
De inês. a 1 de Outubro de 2009 às 18:54
Adorei o texto, mesmo *-*
Esta Margarida está cada vez melhor. Já para não falar no teu blog. Gosto tanto da imagem lá em cima. Está mesmo mesmo mesmo fofinha, como tu, lálálá (:

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