Terça-feira, 25 de Agosto de 2009

Quero estar aí, Madalena.

 

Madalena; sim quero estar aí; quero estar aí quando aprenderes a ler, quando chorares por teres medo de falhar, quero estar aí quando tiveres a tua primeira desilusão com algum rapaz e perceberes que o amor dói. Nem todo ele dói, olha o nosso amor, prima. O nosso amor não dói, não magoa, não faz mal. O nosso amor, sim é eterno. Eu vou amar-te até depois de morrer, tal como tu me amarás sempre, no verdadeiro sentido da palavra. Nada durará mais que o nosso amor.
Sei que se estivesse aqui me dirias muito séria “Prima não se deve dizer nunca e sempre”, mas eu explicar-te-ia com toda a paciência, carinho e amor que neste caso estavas errada. Que nada vai durar mais que o nosso amor, que eu sempre te amarei, e que nunca ninguém te vai amar mais do que eu.
Sei que ao inicio te pode soar estranho, soa sempre acredita. Mas com o passar do tempo vais olhar para trás e pensar que realmente, que a tua prima anna tinha razão. Que o nosso amor é para sempre, mas só vais chegar a essa conclusão quando te apaixonares por algum rapaz – e eu quero estar aí quando isso acontecer – e ele te magoar, te deixar. Só vais chegar a essa conclusão quando perceberes o quão complexo é o amor. Que poucos amores duram para sempre, excepto aqueles em que as duas pessoas que se amam estão dispostas a morrer uma pela outra, só pelo seu bem.
Mais uma vez isto vai soar-te estranho, prima. Mas passado algum tempo vais perceber que não. Que nada disto é estranho. Que o nosso amor é o mais simples, até exactamente por essa razão. O nosso amor sim até é dos mais simples, porque compreendemos tudo aquilo que ele envolve, e nada do que ele envolve é difícil de fazer. Porque, prima, nada poderá meter-se entre nós. Sabes porque? Porque assim que nasceste tu amaste-me, mesmo sem saber o que isso queria dizer. E assim que tu nasceste eu amei-te, mesmo sem eu, ainda, saber o que isso queria dizer. Amámo-nos ao mesmo tempo, e como tal nunca deixaremos de nos amar.
 Eu, prima tenho mais sete anos que tu, mas quando estamos juntas nada disso importa. Não interessa a minha idade, não interessa a tua. Quando estamos juntas nada interessa. Quando estamos juntas ninguém nos interessa. Quando estamos juntas vivemos num mundo só nosso. Não me importo de ver o canal panda e todos aqueles bonecos. Tal como tu não te importas de ver os “meus” programas, aqueles em inglês e com legendas, dos quais não percebes nada. Mas há um programa, que me pedes para eu te ir dizendo o que eles dizem e nos rimos ao mesmo tempo – os Simpsons. Depois há o “Entre vidas” , que quando acaba tu pedes-me para eu te explicar o que se passou, sei porque não me pedes enquanto o programa está a decorrer, porque vês que eu estou com muita atenção e com a mesma cara – sim com a mesma cara, porque nós somos tão parecidas em tantas coisas, às vezes olho para ti e lembro-me de mim - que tu quando vês os bonecos no Panda. E se repares quando vês os bonecos no Panda, eu também não converso muito contigo, exactamente por isso. Depois temos tantos outros momentos minha prima, mas tantos outros, que estarão para sempre dentro do nosso coração, mas também há aqueles que não te lembras, por ainda não teres idade para isso; mas um dia mais tarde eu conto-te todos, todinhos. E nesse dia vamos chorar e rir.
Quero ainda, estar aí quando tiveres idade para sair à noite, quando fizeres as primeiras cábulas para um teste, quando pudermos sair só as duas, quando escreveres a tua primeira carta de amor, e quando receberes a sua resposta. Quero estar aí, ainda, quando te apaixonares pela primeira vez. Quero ainda estar aí, quando disseres a tua primeira mentira à tua mãe, quando tiveres um telemóvel, quando, quem sabe, tiveres um blog, quando criares o teu msn, quando uma amiga te trair, quando te apaixonares pelo mesmo rapaz que a tua melhor amiga, e um conselho de prima – daí para a frente a vossa amizade nunca mais será igual. E ainda quero estar aí quando aprenderes a andar de bicicleta; quero estar aí quando descobrires quem são os teus verdadeiros amigos, quando souberes falar inglês, quando comprares o teu primeiro mp4, quando te sentires revoltada, quando pensares que o mundo vai cair em cima de ti, quando achares que estás sozinha – e aí eu vou dizer-te que nunca estarás, que eu estarei sempre do teu lado, e que apesar da distância que nos divide eu estarei aí contigo quando puder, mas também, com o tempo descobrirás que eu mesmo não estando presente fisicamente, estarei no teu coração. Porque os nossos corações estarão para sempre sintonizados e baterão ao mesmo tempo. Sabes que quando eu também me sinto muito sozinha, quando choro, quando penso que já tudo acabou, penso em ti. Penso nos nossos momentos. Na tua inocência, na tua vivacidade, na tua vida. Que de certo modo também é minha. O nosso amor é muito mais que um amor de primas. É um amor maior que o de irmã. É quase um amor de mãe e filha. Porque de certo modo eu sinto-me como uma segunda mãe para ti – não que precises, pois tens uma mãe que te ama acima de tudo  e todos– mas o que queres é o que eu sinto; por mais rídiculo que isso te pareça. Para mim serás sempre como uma filha. De coração. De vida De alma. E acredita que me dás muitas forças, energias, mesmo sem saberes. Despertas em mim sentimentos únicos e especiais que mais ninguém consegue.
Madalena, eu quero estar aí sempre. Quero que me tenhas sempre contigo. Na mente, no coração, na alma, nos gestos. Tal como eu também te tenho. E sempre que puder eu irei aí a Lisboa ter contigo, matar estas saudade, que são diferentes de todas as outras, são especiais.
Madalena, amor, também sei que o teu, o meu, o nosso mundo dará muitas voltas; mas em nenhuma dessas voltas eu deixarei de acreditar em ti, deixarei de te amar, deixarei de morrer por ti.
Prima és tão importante para mim, que nem fazes ideia. Um dia mais tarde, quando todas estas palavras te tocarem o coração, quando perceberes a sua amplitude, o seu significado por completo, eu explico-te o quão essencial és e o quanto te amo. Talvez aí nem precise de explicar porque, então aí sentirás o mesmo. Quero ainda estar aí, para te dar a conhecer melhor o meu mundo, de que matéria é ele feito; para te contar coisas que não conto a ninguém, para partilharmos segredos.
E sabes o nosso amor e amizade nunca precisarão daquelas pulseiras de amizade, de papéis escritos. Porque tudo o que sentimos uma pela outra estará para sempre dentro de nós.
 Quero estar sempre aí, Madalena. Leva-me contigo para onde quer que fores.
Eu irei sem hesitar.
publicado por anna. às 19:24
link do post | comentar | favorito
|
47 comentários:
De Inês a 25 de Agosto de 2009 às 19:32
pois não, eu aind apor cima sou mais nova :DD
que texto gigante **
De Inês a 25 de Agosto de 2009 às 19:37
Foi escrito por ti? Tá muito giro :DD
De shalaku. a 25 de Agosto de 2009 às 19:40
está lindo :')
eu compreendo-te perfeitamente, tenho duas primas mais novinhas e a vontade que tenho é de acompanhá-las em tudo, para as poder ajudar em tudo também :)
beijinhoo *
De inês. a 25 de Agosto de 2009 às 19:41
ana, isto está lindooooo *.*
escreves mme mme bem :D
De Inês a 25 de Agosto de 2009 às 19:44
Tens mesmo jeito para a escrita :DD
Também andas a fazer mudanças?
De Inês a 25 de Agosto de 2009 às 19:46
Eu também, mas criei um blog para experiências :DD
Tou a ver no quê que dá :))
De Inês a 25 de Agosto de 2009 às 19:56
Então e essas férias foram boas?
De Inês a 25 de Agosto de 2009 às 20:04
Eu este ano não fui passar férias. Este ínicio de verão foi muito dificil. Faleceu a minha avó.
De Inês a 25 de Agosto de 2009 às 20:12
Oh minha linda não faz mal. :DD
Para onde foste?
De Inês a 25 de Agosto de 2009 às 20:13
Querida, vou jantar. Volto já, já, já. Para acabar o visual :DD

Comentar post